Brasil, à espera de um grandioso porvir…

Na memória e na sensibilidade de quem contempla as belezas naturais com as quais Deus ornou o Brasil, resta a impressão de que elas exprimem, à sua maneira, a vocação deste gigantesco país. 

Muitos de seus lindos e abençoados panoramas refletem a especial vocação da alma brasileira de ser profundamente católica apostólica romana, de estar disposta a receber uma extraordinária comunicação do espírito da Santa Igreja.

Como corolário dessa disposição, o brasileiro é convidado a ter uma mentalidade afim  com a formosura de seus mares e litorais, com a elegância de seus ipês em flor, com a variedade de suas montanhas, ora graciosas e suaves, ora rudes e desafiadoras, com a grandeza de suas íngremes penedias que escorrem e se confundem com deleitáveis planícies… 

Que dizer das praias do Brasil? Ele tem uma só praia, com alguns intervalos, que se estende do Rio Grande do Sul ao Amapá. É um dos seus mais belos aspectos naturais. 

Dificilmente nos cansamos de ver o mar imenso, envolvendo ilhas que dão aos panoramas litorâneos uma nota semelhante à de pedras preciosas encastoadas num anel. E as ondas, acompanhadas de nuvens que parecem icebergs colossais caminhando em direção ao continente, têm um curioso movimento que exprime também certas habilidades da alma brasileira, certos jeitos, seja para acariciar, seja para louvar a Deus, seja ainda para fazer diplomacia…

Irmã da imensidade e beleza marítimas é a abundância das águas fluviais, correndo às quantidades pelo Brasil afora. Exemplo paradigmático são as cataratas do Iguaçu, em cujas quedas se pode avaliar a caudal e o ímpeto do líquido que se precipita majestosamente por toda a parte. Que extraordinário e fragoroso domínio!

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Das águas para os campos e serranias. Em geral, montanhas não muito altas, sem píncaros que pareçam galgar até os céus. Dir-se-ia que existem, confiantes e contentes, sob as vistas do firmamento, sem necessidade de tentar arranhá-lo, porque sentem que ele desce até elas. Deixam-se banhar pacificamente pela luz do sol, e permanecem à espera de um futuro talvez não remoto.

Uma espera tranquila, doce, cordata, de quem sabe que, sem dúvida alguma, esse dia chegar á.

Suaves ondulações de terreno, cobertas de um verde ora alegre e risonho, ora um tanto escuro e sombrio, sem nada de trágico porém. Aqui e ali, aninham-se restos de antigas florestas, sobejos de matas virgens: é o Brasil da selva, do mistério primitivo, repleto de surpresas.

Ao lado das montanhas e ondulações adocicadas, cabem também os grandes gestos geográficos, o estupendo e o extraordinário rasgando aquela doçura, como para dar a entender ao nosso povo que, na placidez de seu temperamento, há de contar, nas ocasiões dramáticas, com lances heroicos. 

Então surge, por exemplo, o famoso Dedo de Deus, na serrania que conduz a Teresópolis (foto da página 31). Quando se repara nele, tem-se a impressão de que houve algum dia ali um forte, onde guerreiros impávidos lutaram contra invasores que tentavam conquistá-lo. E que um murro formidável de um avantajado demônio dos antigos tempos arrebentou com quase tudo no seu cimo.

Porém, restou um dedo em riste, dizendo: ‘Ainda voltarei! A minha altura natural é esta e a ela não renunciarei. Dia virá em que a montanha inteira ascender á ao mesmo píncaro, que continuo
a reivindicar, na figura ideal desta fortaleza sonhada!’

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Se nos voltamos para a exuberante e variegada flora brasileira, parece nos faltar o vocabulário para comentá-la de modo satisfatório. Haja vista um ipê na plenitude de sua floração, na riqueza estupenda de sua beleza, ou seja, no que ele tem de verdadeiramente único. É uma árvore de ouro. Sua copa não desenha uma esfericidade perfeita, pois tem reentrâncias diversas as quais fazem com que os jogos de luz sobre o dourado mudem de tonalidade, e se evidenciem os diferentes matizes dessa cor.

E quando o ipê floresce contrastando com uma paisagem seca e desoladora, dir-se-ia que ele é um protesto do futuro, a proclamar: Esperem! Alguma coisa ainda virá!

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Praias, rios, cordilheiras, ipês… Panoramas, cenários e ambientes que convidam a cogitações, que sugerem planos, anseios, ideais, tendo no alto de si um grandíssimo descortino, meio feito de imponderáveis que nos levam a esperar os desígnios de Nossa Senhora para o Brasil.

Pois algo há de se passar aqui, à altura dessas imensidões. Elas não foram criadas sem que um dia surgissem homens a elas proporcionados. Por isso sobre elas paira uma graça carregada de belos prognósticos, uma bênção que faz dessas paisagens panoramas- argumentos. Dizem-nos da parte da Providência: “Esperai, porque este será o Brasil do Reino de Maria! Confiai! Vós não maginais
como será! Esses panoramas são apenas um sinal, um prenúncio daquilo que virá, se fordes fiéis. Um Brasil ainda mais lindo, maior e mais extraordinário. E que aí, na proporção do que virá, esse povo também se despertar á e estará à altura!

Sim, para isso foi criado o Brasil. O Brasil da Terra de Santa Cruz. O Brasil de Nossa Senhora Aparecida,  que vive à espera de seu grandioso futuro.

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