26 de abril – IX A imagem-pináculo da devovo ção a Maria

IX A imagem-pináculo da devovo ção a Maria

No afresco da Mãe do Bom Conselho de Genazzano transparece a intimidade do Menino com sua Mãe, parecendo ambos estarem prontos para uma confidência. Do mesmo modo Nossa Senhora trata as almas de seus eleitos e, mesmo quando parece retirar-Se daqueles que A abandonam, conserva dentro da alma destes uma promessa de que retornará.

Pelos acontecimentos que vou narrar, veremos como Nossa Senhora trata as almas que Ela ama muito, das quais, porém, se afasta. Afasta-se, mas continua presente em estado de ruína dentro delas. Ruínas que falam, eu diria quase ruínas que cantam e que convidam para a reconciliação, para o perdão, para a reestruturação.

A veracidade da história se comprova
No século XV não houve grandes controvérsias a respeito da autenticidade do milagre do afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, mas, à medida que o racionalismo foi progredindo na Europa, as dúvidas começaram a nascer. E no século XVII se perguntavam: “Será que existiu na Albânia a igreja de onde ele saiu? Será que esse quadro veio da Albânia? Como se pode provar isso?” Ora, a Albânia se tornou, pela invasão, um país majoritariamente muçulmano. Isso explica bem porque Nossa Senhora a tenha abandonado. A nação albanesa estava separada da Itália por algo parecido com a cortina de ferro:1 era um país turco e a entrada de pessoas cristãs não era permitida. Da Albânia não se tinha notícia alguma. Entretanto, continuou a haver lá um certo número não tão pequeno de católicos, os quais se conservaram fiéis à sua Fé. Por razões ligadas à política – cujos pormenores não é o caso de explicar aqui –, foi permitido a esses albaneses católicos continuar com algumas práticas da Religião. Apenas no século XVIII, com a decadência do poderio turco, depois de tantos anos de separação, foi possível enviar alguns missionários italianos para a Albânia, que começaram a tomar contato com os católicos albaneses que estavam, até então, completamente isolados. Assim puderam informar-se com facilidade, de modo sumamente direto e, portanto, com toda veracidade, a respeito das circunstâncias da vida religiosa albanesa, mandando relatórios para a Santa Sé, como se faria em qualquer missão. O relatório explicava o que os críticos queriam saber: que existia, de fato, uma igreja da Anunciação, em Scutari. Nela constava que havia um quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho, o qual partira misteriosamente antes da dominação
turca. Tomou-se conhecimento também de cantos e hinos religiosos que o povo albanês cantava, pedindo a Nossa Senhora que voltasse porque estavam arrependidos.

Das ruínas, Nossa Senhora voltará a fazer reinar seu Imaculado Coração
Portanto, ficou um resíduo de fiéis o qual Nossa Senhora não abandonou. Mesmo tendo deixado a Albânia, Ela continuou a ter sua mão pousada lá, e o santuário em ruínas continuou habitado pela predileção d’Ela, passando a ser teatro de milagres e lugar de peregrinação. E aí se vê um deixar não deixado, um abandonar não abandonado, um retirar não retirado, quase mais bonito do que o ficar.

Quanta bondade de Nossa Senhora, quanta conservação de sua misericórdia! As punições d’Ela são de mãe que continua a conclamar para a penitência, para a emenda, para uma modificação de vida, e não para o abandono completo e a destruição da nação.

Todos esses fatos se deram porque Nossa Senhora quis conservar a fé entre os albaneses.

É a economia, o modo pelo qual Nossa Senhora não trata o comum das almas, mas as muito prediletas. Por aí se compreende como é a misericórdia d’Ela: mesmo quando Ela castiga e parece se retirar, conserva dentro da alma uma espécie de ruína, de permanência de algo que é um sinal de que Nossa Senhora não a abandonou inteiramente, pois ainda deseja e espera que essa alma seja reconduzida ao bom caminho. E esse algo é como uma lâmpada que se acende no meio das ruínas, é uma luz que continua a brilhar com graças que continuam a ser recebidas, é uma promessa de Nossa Senhora que diz que Ela ainda voltará e fará reinar a virtude, fará reinar seu Imaculado Coração nos lugares que Ela
abandonou.

Nesse sentido, eu acho que o afresco da Mãe do Bom Conselho é feito para o desfile inaugural do Reino de Maria. E aparecerá com uma grande ênfase. Pode-se imaginar que a Imagem apareça de corpo inteiro, falando, movimentando-se, enfim, como se Ela tomasse vida e depois voltasse para dentro do quadro.

Das ruínas, Nossa Senhora voltará a fazer reinar seu Imaculado Coração
Há um outro dado curioso: eu li, no livro do João Clá, que na Albânia Ela chamava-se Nossa Senhora dos Bons Ofícios e depois, em Genazzano, passou a ser chamada Nossa Senhora do Bom Conselho. Ora, “Bons Ofícios”, a meu ver, equivale a Auxiliadora, porque se alguém me fez bons ofícios, significa que me auxiliou em certas circunstâncias. Essa coincidência com a invocação da Virgem de Lepanto pareceu-me muito interessante.

Que imagem, como esta, pode ser apresentada como foco de devoção? Certas imagens de Nossa Senhora das Graças são muito expressivas, mas absolutamente não são como esta.

A meu ver, a escravidão a Nossa Senhora, ou seja, o pináculo da devoção a Ela, deve voltar-se normalmente para a imagem-pináculo, que é a Mãe do Bom Conselho.

Quando estamos diante d’Ela somos atraídos pela imagem e algo da doçura e da suavidade d’Ela comunica-se a nós, deixando-nos como que suavemente hipnotizados.

É incrível, mas o olhar d’Ela e do Menino chamam tanto a atenção…! Fica-se com os olhos fixos no afresco, desejando passar uma eternidade olhando-o. A tal ponto que há momentos em que não é possível sequer recitar o Rosário; é preciso parar de rezar… Fica-se sem saber o que dizer…é um milagre permanente.

O olhar do Menino Jesus tem o feitio de razão de um homem, por assim dizer; Ele é um varãozinho. O d’Ela é de Senhora, de uns trinta e poucos anos, mas não é tão determinado
como o do Menino Jesus, não tem os contornos do olhar d’Ele. É meio impreciso, nota-se uma certa incerteza. Entretanto, para ter o Menino com essa idade, Nossa Senhora deveria ser muito mais moça. A característica da infância n’Ele, no afresco, é precocemente maturada. É um Menino que sabe o que quer, dir-se-ia já dotado de razão, embora Ele não o deixe transparecer.

A testa de Nossa Senhora na fotografia é ligeiramente rosada. Ela está com uma espécie de liberdade, muito natural e quase suave. A cor do seu vestido é escura. As estrias, no fundo, são de cores vivas. Aquele como que fio de metal que sai da orla do manto, está muito costuradinho no tecido de cima, e faz gomos. Não tem nada de apertado, tudo é muito direito, muito natural.

Intimidade atraente, cheia de sobrenatural
Entre Nossa Senhora e o Menino Jesus há uma intimidade própria para uma confidência. É uma intimidade tão grande que a atmosfera está pronta para o Menino Jesus dizer uma coisa ao ouvido d’Ela, e Ela responder a Ele ou dizer algo a Ele, baixinho, e Ele responder. Não estão fazendo confidência, mas está tudo pronto para tal.

Imaginemos a língua que eles falavam, o aramaico. Por exemplo, no alto da Cruz Nosso Senhor disse a Nossa Senhora: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19,26), com a conotação de “Minha Rainha, eis aí teu filho”. É preciso dizer, por mais que se admire, o latim não estava à altura d’Eles. A construção desse idioma é muito arquitetônica, muito raciocinada, mas não tem a graça, os afetos, o carinho do aramaico.

Por outro lado, contemplando a expressão fisionômica de Nossa Senhora, se eu não a interpreto mal, é um pouco rêveuse,2 de alguém que está se deleitando com a presença do
Menino Jesus e assim entregue a um grau de elevação sobrenatural muito alto; não é algo como tinha Santa Teresa de Jesus, mas discreto, suave.

Nesse relacionamento seria legítimo imaginá-Los prelibando o cálice da amargura. Não é isso, porém, que transparece no afresco. Tem-se a impressão de que o mistério da vida de Nosso Senhor o veriam depois, e de que, no momento, Eles estão com os olhos postos no encontro dos dois no Céu, onde, por toda a eternidade, Ele estaria num fastígio de glória inconcebível, mas unido a Ela assim, como no quadro.

Os atributos que lhe cabem por ser Mãe do Homem-Deus, Esposa do Divino Espírito Santo e Filha por excelência de Deus Pai são inenarráveis, celestiais. Evidentemente, não são contestados por nada na pintura, mas também não se deixam ver de propósito.

Parece que o artista conheceu Nossa Senhora nesta vida e acabou pintando algo do que ele viu n’Ela, sem estar glorificada, mas d’Ele e d’Ela pensando na glorificação. Podemos imaginar quando Ela ouviu Nosso Senhor dizer ao Bom Ladrão: “Hodie mecum erisin Paradiso – Tu estarás hoje comigo no Paraíso” (Lc 23, 43), como Nossa Senhora ficou alegre com isso, compreendendo que, no meio da noite em que Ele estava, a certeza de o Paraíso estar próximo O iluminava!

1) Cortina de ferro: expressão usada, durante a Guerra Fria, para designar a divisão existente entre os países capitalistas e socialistas da Europa.  2) Do francês: sonhadora.

Plinio Corrêa de Oliveira

03 de julho – São Tomé e as Santas Alegrias da Contrição

São Tomé e as santas alegrias da contrição

O Apóstolo São Tomé é um exemplo perfeito de como unir a alegria à tristeza na contrição. Ele pregou o Evangelho aos povos do Oriente, demonstrando como o verdadeiro arrependimento traz consigo uma execração do próprio pecado e uma admiração pela virtude alheia.

 

Por que Nosso Senhor disse que seus discípulos praticariam milagres ainda maiores do que os d’Ele? Qual é o princípio a que isso obedece?

 

Farão milagres ainda maiores
Não é fácil responder a essa pergunta, mas me parece que entre as múltiplas respostas que podem concorrer para a explicação do caso, há uma digna de nota. Quem viu Nosso Senhor, quem da divina boca d’Ele ouviu a sua doutrina, esse já tinha uma espécie de milagre evidente diante dos olhos. Era algo tão sobrenatural, tão divino, tão fora de qualquer proporção humana, que para um homem de fé já não seria necessária outra coisa.

Por essa razão também, Nosso Senhor censurou aqueles que Lhe pediam milagres. “Essa geração malvada e ingrata, só crê por causa dos milagres” (cf. Mt 12, 38-39). Há uma bem-aventurança, portanto, em crer sem os milagres. E a São Tomé Ele fez uma crítica análoga: “Tomé, tu creste porque viste; bem-aventurados os que não viram, mas creram” (Jo 20, 29). Era natural que quem tivesse contato com os Apóstolos, que continuavam a obra de Nosso Senhor, mas que não tinham – porque ninguém pode ter – a irradiação d’Ele, que esses fizessem milagres maiores.

Psicologia dos que necessitam de milagres para crer
São Tomé fez milagres espantosos. Um milagre se somava a outro. A cada vez o rei dizia: “Se vier mais um milagre, então eu crerei. São Tomé fazia um milagre talvez maior do que o anterior e o rei não acreditava. Por fim, o rei acabou expulsando-o do reino. É interessante fazer o estudo da psicologia dos que insaciavelmente necessitam de milagres para crer. De fato, estes não têm vontade de crer. E, por causa disso, um ou dois milagres que lhes poderiam bastar, para eles são insuficientes. Querem uma série de milagres. E quando estes os acachapam, matam ou expulsam quem fez o milagre! É a prova de que e para quem não quer, não há milagre que baste.

O homem pode sempre recusar o seu assentimento, e uma espécie de apetência de milagre, de fome de milagres, de evidência, denuncia, no fundo da alma, uma espécie de recusa preguiçosa da graça, como quem diz: “Eu não estou disposto a pensar, a me esforçar, a abrir a minha alma. Se
vós arrombardes a minha alma à força de milagres, então eu atenderei e crerei. Sem isto eu não crerei”. É um misto de preguiça, de alma estreita, fechada sobre si mesma, de recusa da graça. Por maiores que sejam os milagres, essas almas, muitas vezes – não digo sempre – acabam a cada milagre se tornando mais duras, recusando mais essa graça e acabam odiando aquele que praticou os milagres.

Há, portanto, algo que devemos considerar e que é a maldade humana: como o homem, viciado pelo pecado original e pelos consentimentos sucessivos que deu aos pecados atuais, pode ter a sua alma fechada para a graça de Deus; e como nada, a não ser certas graças fulminantes, e que às vezes não passam através dos milagres, pode abrir uma alma para as grandes transformações.

Eu tenho a impressão de que, por causa disso, certos povos ou certas pessoas muito supersticiosas são difíceis de converter, por precisarem
da ação palpável do preternatural sobre o natural para crer, não tendo a alma tão elevada, tão aberta, quanto a daqueles bem-aventurados que
não viram, mas creram.

São Tomé, alma ávida de execrar a própria falta
É interessante notarmos, por fim, a atitude de São Tomé. Ele andou mal. Ele duvidou da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo e foi o único que não estava presente na Assunção de Nossa Senhora. Entretanto, ele foi objeto do maravilhoso carinho de Nossa Senhora.

Quando Maria Santíssima ia subindo ao Céu, Ela desatou a correia que Lhe servia de cinto e jogou do alto para ele, sendo o único que recebeu d’Ela um dom que valia quase mais do que ter presenciado a sua dormição. Assim são os castigos de Nossa Senhora: severos, enérgicos, maravilhosamente doces depois. De tal maneira enérgicos e de tal maneira doces, que não se sabe que mais admirar, se a energia ou a doçura. E propriamente o que extasia é a coincidência de tanta energia da doçura e de tanta doçura na energia. Não se compreende como numa alma podem caber coisas antitéticas em tal grau e completando-se de um modo tão magnífico.

São Tomé, convertido por essa doçura e, ao mesmo tempo, por essa severidade de Nosso Senhor, corroborado na graça por essa doçura e por essa severidade de Nossa Senhora, tornou-se uma alma verdadeiramente penitente.

Uma alma penitente odeia o pecado que cometeu
O que é uma alma verdadeiramente penitente? É aquela que, quando faz o mal, com vergonha e com tristeza, conta o mal que fez e gosta de
repetir que o fez . Aproveita as ocasiões que com naturalidade e compostura se lhe apresentam, para insistir em que fez mal. Faz uma espécie de flagelação de si próprio aos olhos dos outros e diz: “Em tal lance de minha vida, é bom que vocês saibam, eu andei mal. Aquele foi o mal que eu fiz; e eu o odeio tanto e me odeio a mim enquanto tendo feito aquele mal, que eu gosto de contar para os outros, para que me execrem por causa daquilo, porque eu me execro e sou faminto da execração dos outros”.

Tal é a alma verdadeiramente penitente: aquela que mesmo depois de se ter arrependido, de ter expiado, de ter praticado anos de virtude, ainda tem, diante de si, aquele pensamento de Davi num dos salmos penitenciais: “Peccatum meum contra me est semper. Tibi soli peccavi, et malum coram te feci – Eu pequei só na tua presença, ó meu Deus, e meu pecado está o tempo inteiro de pé diante de mim” (cf. Sl 50). Ou seja,
eu estou o tempo inteiro de pé diante do meu pecado e o meu ódio contra ele só se extinguirá com minha vida. Sempre que eu possa falar mal
dele e possa conclamar todos os povos a falarem mal dele e me ajudarem a execrá-lo, eu não deixarei de o fazer, porque eu odeio o meu pecado. E é só com isso que minha alma se aquieta.

Quem não gosta de ser repreendido, e quando é admoestado ouve com uma certa impaciência a repreensão, tendo alívio quando se muda de assunto, esse não tem o arrependimento verdadeiro dos seus pecados. O verdadeiro arrependimento é ter um ódio crescente ao próprio pecado. Quanto mais passa o tempo, tanto mais se compreende o mal feito e se o odeia, e tanto mais se tem um pesar daquilo e um desejo de ultrajar o mal feito.

Pontos para exame de consciência
São Tomé ia por toda parte evangelizar e não receava contar o pecado que cometera àqueles a quem queria atrair para a verdadeira Fé. Ele não teria receio de escandalizar? De causar má impressão? Não. A verdadeira penitência eleva, ajuda os outros a também se arrependerem, a até odiarem o seu próprio pecado. Isto é o que faz a verdadeira penitência.

Se nos voltarmos, nesse momento, para um exame de consciência sobre nós mesmos e nos perguntarmos a respeito de nossos pecados, qual é a nossa atitude? Quando há propósito, gostamos de contar os nossos pecados para pessoas que depois vão esgravatar aquilo e nos mostrar, ponto por ponto, as agravantes do que fizemos? Gostamos do contato das pessoas que nos punem pelos pecados que cometemos? Gostamos de nos lembrar do mal que fizemos e de fazer o papel de advogados contra nós mesmos, aduzindo, um por um, os elementos agravantes que possam nos ocorrer?

O fato de termos vivido longe da Igreja Católica, da influência de Nossa Senhora, de termos sido espíritos mundanos, orgulhosos, egoístas, sensuais, tudo quanto fizemos antes de nossa conversão, nós temos bem presente? Falamos mal disso? Censuramos? Gostaríamos que alguém nos censurasse?

Hoje em dia, em relação à tibieza, à mania de brinca-brinca, às faltas de correspondência à graça, à ingratidão em relação à graça, à vulgaridade de espírito, a quantas outras coisas
desse gênero, gostamos de que falem mal de nós a esse respeito? Temos sofreguidão ou somos lânguidos e indiferentes? Ou nós rugimos de raiva quando nos chamam a atenção?

Implacáveis conosco no julgamento de nossos próprios defeitos
Para concluir, devemos nos dirigir, neste ato, a todos os santos penitentes que há no Céu. Quantas almas foram penitentes nesta Terra? E no Purgatório? Devemos pedir que elas tenham pena
de nós, façam com que compreendamos o mal que fizemos, caiamos em nós e tenhamos as santas alegrias da contrição, a santa e jubilosa tristeza da contrição, aquele ódio ao mal, ao mal em nós, que é um dos pontos de partida do espírito contrarrevolucionário.

Que tenhamos probidade de nos considerarmos a nós mesmos, que sejamos implacáveis conosco no julgamento de nossos próprios defeitos. É isso que devemos pedir com toda a alma a esses santos, junto com o amor e a admiração pela virtude. Uma admiração enlevada, trazida pela virtude; a alegria de que outros foram inocentes, não praticaram o mal que nós praticamos; que os outros praticam um bem que não praticamos; a satisfação de nos sentirmos pequenos diante de nossos irmãos.

Excelente meio de reparação: alegria pela virtude dos outros
Devemos lembrar que a inveja da graça fraterna é um pecado contra o Espírito Santo. Quando vemos que um irmão é mais do que nós na ordem da graça e o invejamos, isso constitui um pecado. O contrário, a alegria pelo dom fraterno, dá glória ao Espírito Santo. E se nós queremos reparar os nossos pecados, um dos melhores meios de reparação é termos alegria pela virtude dos outros.

Pensarmos em tanta virtude de pessoas que nós conhecemos, em tanta virtude maior do que a nossa, nesse, naquele ponto . . . como são superiores a mim! “Meu Deus, eu Vos dou graças, eu Vos dou graças por vossa grande glória que brilha na pessoa deste, daquele ou daquele outro”.

Almas sem inveja, alegres da virtude dos outros, tristes pelo seu próprio pecado, estas são as almas nas quais Nossa Senhora entra e sobre as quais domina – Ela que é o templo do Espírito Santo – trazendo consigo o Espírito Santo; Ela que é Mãe de Deus Filho, trazendo consigo Nosso Senhor; Ela que é Filha do Padre Eterno, trazendo consigo o Padre Eterno.

Que Nossa Senhora faça germinar em nós o amor da Santíssima Trindade, nos dê esse espírito de contrição, Ela que é a Virgem das virgens, inocentíssima, mas pela qual passaram todas as graças de arrependimento, de atrição e de contrição, que encheram e encherão até o fim do mundo a face da Terra.

Plinio Corrêa de Oliveira (Extraído de conferência de 21/12/1968)
Revista Dr Plinio 328 (Julho de 2025)

26 de janeiro – São Timótio – Audaz invectivador dos maus

São Timóteo - Audaz Invectivador dos Maus

Diante do mal e do erro, São Timóteo não temia uma atitude de ataque frontal. Sabendo que podiam lhe advir inconvenientes e perseguições, ele não se acovardava e assim sacrificou a própria vida. Há ocasiões nas quais devemos ser jeitosos e há momentos em que deve prevalecer a audácia..

No dia 26 de janeiro, a Igreja celebra a festa de São Timóteo, bispo e mártir. A respeito dele diz D. Guéranger:¹

Por sua fama de santidade, torna-se bispo de Éfeso
Timóteo, nascido em Listra, na Licaônia, filho de pai gentio e mãe judia, já praticava a religião cristã quando o Apóstolo Paulo chegou àquela região. Paulo, impressionado com a fama de santidade de Timóteo, tomou-o por companheiro de viagem. Contudo, por causa dos judeus que se convertiam a Jesus Cristo e que sabiam que o pai de Timóteo era pagão, Paulo o circuncidou. Quando ambos chegaram a Éfeso, o Apóstolo fê-lo bispo a fim de que governasse essa Igreja.

Paulo escreveu-lhe duas cartas, uma de Laodiceia e outra de Roma, para orientá-lo no exercício de seu cargo pastoral. Como Timóteo não podia aceitar que se oferecessem aos ídolos dos demônios o sacrifício devido somente a Deus, um dia em que os habitantes de Éfeso imolavam vítimas a Diana durante uma de suas festas, ele esforçou-se em dissuadi-los dessa impiedade, mas eles o lapidaram. Os cristãos o transportaram semimorto e o levaram a um monte nas proximidades da cidade, onde ele adormeceu no Senhor, no nono dia das calendas de fevereiro.

Após uma invectiva contra uma mulher culpada, inicia-se a perseguição: Ainda sobre São Timóteo, temos esta ficha narrando uma visão de Ana Catarina Emmerich:²

Timóteo, discípulo de São Paulo, foi feito prisioneiro na ilha de Quios, ao mesmo tempo em que o Apóstolo São João estava cativo na ilha de Patmos. Sempre o vi alto, moreno, magro e pálido. Foi muito estimado por todos. Mantinha uma comunidade de convertidos. Até os soldados que o rodeavam queriam-lhe bem. Havia uma mulher nobre, cristã, que caíra em grave culpa. Enquanto Timóteo celebrava os Sagrados Mistérios numa pequena igreja, já no altar, conheceu por revelação a culpa daquela pessoa que chegava à igreja para ouvir Missa. O santo bispo saiu então à porta e impôs penitência à mulher, impedindo-a de entrar. Em consequência disso, levantou-se uma perseguição contra o santo. Foi desterrado para a Armênia e libertado. São Paulo o enviou como bispo a Éfeso. Nessa cidade foi morto porque havia condenado com veemência as desordens e as orgias celebradas naqueles dias, com máscaras, levando ídolos em bacanais.

Ao aproximar ambos os trechos – a hagiografia histórica de D. Guéranger e a revelação mística de Ana Catarina Emmerich –, notamos uma concordância completa entre um e outro.

Resoluto em desmascarar o erro
É importante considerar aqui dois aspectos: em primeiro lugar, a coragem dele invectivando o culto a Diana. O templo dessa deusa, em Éfeso, era dos mais célebres da gentilidade, considerado uma das obras-primas do mundo antigo.

Eu cheguei a ver reconstruções desse templo e realmente era uma beleza! Uma construção de mármore branco que ficava no alto de uma escadaria e tinha a forma quase de um quadrado. A proporção entre a escadaria encimada pelo templo dava um aspecto muito bonito e agradável de se ver. O teto era também bem proporcionado e com uma figura no alto. Não era mais a arte grega pura, mas a helenística, que mistura algo do Oriente e que hoje é censurada pelos críticos de arte como pouco pura, mas que não deixou de inspirar algumas obras-primas muito importantes.

Ora, nesse templo, a deusa Diana operava toda espécie de ações maravilhosas, mirabolantes. Eram prodígios do demônio que agia por esse meio. E São Timóteo, indo àquele local e querendo fazer cessar esse culto, manifestou uma coragem, uma capacidade de enfrentar o adversário e uma decisão verdadeiramente extraordinárias.

Em consequência, o que aconteceu? Ele foi perseguido, lapidado e morreu.

O mesmo aconteceu no fato da mulher que foi à igreja onde ele ia celebrar Missa. Ele teve uma notícia de que ela pecara e achou que não podia deixá-la aproximar-se dos Santos Mistérios. Então exigiu que ela fizesse uma penitência na entrada da igreja. Ela não quis. Era uma mulher nobre. Naquele tempo a nobreza tinha uma grande situação, pelo menos em vários países. Entrevê-se pela narração que ela tomou uma atitude de revolta e açulou muita gente contra ele. Por isso ele quase morreu, foi expulso da cidade e exilado na Armênia.

No estandarte, um leão ou uma raposa?
Nos dois casos vemos a mesma atitude. Diante do mal e do erro, uma posição de ataque frontal e flagrante, sabendo que poderiam vir inconvenientes, perseguições. Ele não se incomodava e numa dessas ele sacrificou a própria vida.

Isso significa que se deva proceder sempre assim? Nós não podemos dizer que, muitas vezes, não procedemos assim? Mas muitas vezes não nos esgueiramos? Houve uma pessoa que, com certo espírito, declarou que o animal que deveria figurar em nosso brasão não era um leão, mas uma raposa, de tal maneira damos vueltas y vuelteretas. E é verdade que nosso leão sabe dar passos de raposa. Isso não tem dúvida nenhuma.

Saber quando imitar e quando apenas admirar
O que acontece na vida de certos Santos é que eles, por inspiração divina, têm uma linha de conduta que não é para ser seguida por todo mundo, mas é para inspirar atitudes em outros. São os tais Santos que fazem as coisas que são para serem admiradas e não são para serem sempre imitadas. Mas, na beleza da sua atitude, eles fazem algo que inspira outros a, no momento oportuno, fazerem o que eles fizeram.

É um pouco como São Francisco de Assis com seu pai. Pedro Bernardone brigou com São Francisco e lhe disse:
— Você não é meu filho!
São Francisco tirou a roupa, ficou quase nu diante do pai e respondeu:
— Graças a Deus, fique com essa roupa, porque eu não sou mais filho de Pedro Bernardone… Mais veridicamente que nunca eu posso dizer “Pai nosso, que estais no Céu…”

Não se deve deduzir daí que todo mundo que brigue com o pai deva tirar a roupa. Mas há algo no ato dele que inspira a tomar uma atitude enérgica nos momentos oportunos.

O Grupo tem lances de muita energia e de uma energia bravia. Mas há horas em que devemos ser audaciosos e há horas em que devemos ser jeitosos. Nós devemos admirar nos Santos a audácia e o jeito. Santo Inácio de Loyola foi extremamente audacioso e extremamente jeitoso. E São Timóteo é um Santo admirável, que nos mostra muita audácia.

Audaciosos e jeitosos
Alguém me perguntará: “Dr. Plinio, o que o senhor admira mais: a audácia ou o jeito?

Eu sou obrigado, pelas circunstâncias, a todos os jeitos e trejeitos, mas meu coração e minha alma vão para a audácia. Dizer de frente, dizer no duro, de uma vez, romper, enfrentar, rachar… oh, delícia! Oh, maravilha! Só de dizer isso eu floresço, se é que se pode dizer que um homem é uma flor. O que se pode fazer? Deus me livre de faltar com a audácia numa hora em que devo ser audacioso. Mas, Deus me livre de faltar com o jeito na hora em que tenho que ser jeitoso.

A audácia é uma virtude mais difícil que o jeito. Ela supõe que se arrisque a pele, enquanto muitas vezes o medo se camufla atrás do jeito.

De maneira que mais vale a pena insistir sobre a audácia do que sobre o jeito. Entretanto, quando eu notar que os membros do Grupo estão muito audaciosos, preparem-se, porque falarei sobre o jeito. Porque não há coisa pior do que uma audácia sem jeito.


1) Guéranger, Prosper. L’Année Liturgique. Le temps de Noël. 10.ed., Paris: H. Oudin, 1891, t. II, p. 434-435.
2) Beata Ana Catarina Emmerick. Visiones y Revelaciones Completas. Buenos Aires: Guadalupe, 1952, t. X, p. 307-308.

Plinio Corrêa de Oliveira (Extraído de conferência de 24/1/1969)

21 de dezembro – São Pedro Canísio – Vigor e limpidez

São Pedro Canísio - Vigor e limpidez

Na correção dos erros de seus contemporâneos, possuía São Pedro Canísio um modo quintessenciado de caridade e de justiça: sem deixar de dizer a verdade por inteiro, repreendia fazendo uso das regras da antiga cortesia.

São Pedro Canísio, Confessor e Doutor da Igreja, foi apóstolo da Alemanha. Chamado “o martelo dos hereges”, lutou contra o protestantismo. Ele pertenceu à companhia de Jesus e viveu no século XVI.

Carta de um monarca ao Santo
O Imperador Fernando da Áustria escreveu a São Pedro Canísio a seguinte carta, retirada de uma edição de Vidas de Santos, da “Vozes de Petrópolis”. Em 1553, escrevia o Rei Fernando a respeito de seu catecismo: Digno religioso, devoto e caro amigo – escreveu o imperador a ele vimos e examinamos a primeira parte de vosso catecismo. Julgamos que, com o auxílio de Deus, essa publicação servirá grande mente à salvação de nossos fiéis súditos. Pedimos, portanto, que o termineis sem demora e nos envieis o catecismo completo o mais depressa possível, por que faremos traduzir o vosso catecismo em língua alemã e, quando estiver impresso nas duas línguas, latim e alemão, será explicado publicamente à juventude de todas as nossas escolas latinas e alemãs, com exclusão de qualquer outro catecismo, sob as penas mais severas e a ameaça de nossa indignação. Ordenamos que anoteis, à margem, os livros e os capítulos onde se encontram os trechos das Escrituras, dos Padres e Doutores da Igreja e do Direito Canônico, citados por vós com tanta erudição e a cada passo nesse catecismo. Isso é para permitir aos mestres menos instruídos e à gente de pouco conhecimento encontrar essas citações. Temos grande esperança que, por esse meio, aqueles que caíram na ignorância sejam reconduzidos ao seio de nossa mãe, a Santa Igreja Católica, e que muitos se curvarão à doutrina desses escritos quando virem as fontes originais de onde a extraístes. Ajudareis a milhares de almas e recebereis de Deus todo poderoso o cêntuplo em recompensa. De nossa parte, nós, como rei cristão, sinceramente desejoso da salvação eterna de nossos fiéis súditos, trataremos de vos indenizar com toda a nossa real benevolência, a vós e a vossa religiosíssima Companhia. Dado em nossa cidade, a 16 de março do ano de Nosso Senhor de 1553.

Advertência do Santo aos presbíteros
Junto a isso, tenho a seguinte ficha de um trecho de um sermão de São Pedro Canísio, contra a corrupção do clero na Alemanha: Temos desonrado o altar de Deus com mãos impuras e lábios polutos, com nossos corações incircuncisos, nossas vidas escandalosas e nossos graves abusos. Nosso pecado é tanto maior quanto abusamos da dignidade que nos foi conferida. Assim, por nossa causa, o nome de Deus é blasfemado. Com tais homens, nada de honestidade em casa, de sobriedade à mesa, de continência no leito, nem de estudos nos livros, nem de devoção no coração. Ambos os trechos merecem comentários.

Alguns aspectos regalistas e outros edificantes da carta do imperador
O primeiro é a atitude do Rei Fernando da Áustria, a respeito da difusão da religião no seu Império. Nota-se nesta ficha algumas atitudes do rei que dizem bem respeito ao erro do regalismo. Ele toma decisões a respeito da difusão do catecismo como se ele fosse um senhor espiritual. Ele afirma que vai proibir a difusão de outros catecismos em toda a Áustria, para a adoção única desse catecismo, que é o bom e que é escrito por São Pedro Canísio. Depois ele dá uma ordem a São Pedro Canísio, como se fosse a um funcionário dele, para que complete as citações que estavam ainda incompletas no original mandado a ele. E dá depois as explicações pelas quais ele quer essas citações. Mas, se é verdade que essa nota desagradável existe nesta carta, para as nossas almas habituadas a um laicismo tremendo dos dias de hoje, a carta contém também um aspecto muito digno de louvor. É um exemplo de uma virtude, em outro sentido, que nós devemos registrar. É o extremo empenho que deve ter um rei católico, mesmo quando ele não seja regalista e não enquadre as atribuições da Igreja, na difusão da verdadeira doutrina no seu reino.

Ele recebeu o catecismo, examinou-o, formou dele o mais alto conceito; ele tinha em alto conceito São Pedro Canísio e desejava ardentemente a difusão desse catecismo. Ele deita um empenho em todas as partes da carta em que o serviço se a completo, saia logo, promete a tradução, explica as vantagens que ele espera; essa é uma obra de alta Contra-Revolução feita por ele. Com efeito, a importância da questão do catecismo está em que havia infiltrados nos meios católicos, muitos autores que faziam catecismos com sabor protestante, e já era difícil naquele tempo encontrar um catecismo explicado à maneira dos homens do tempo, mas que, simultaneamente, fosse bem ortodoxo.

De maneira que ele se agarra ao catecismo de São Pedro Canísio como a uma tábua de salvação . Vê-se o zelo, o ardor com que ele quer fazer isso, porque é bom católico, mas também porque é bom imperador. Ele era Rei dos Romanos, era Rei do Império Romano do Ocidente. Ele quer aclamar, ele quer estabelecer esse catecismo porque é dever do rei velar pela Fé e é primeiro porque é católico, mas em segundo lugar porque é sumo interesse do poder público, não há maior interesse para o poder público do que a difusão da Fé Católica.

Se a Fé Católica estiver bem difundida no reino, tudo se pode esperar de bom, mas se ela estiver mal difundida, nada se pode esperar de bom, porque todo bem vem da Santa Fé Católica, Apostólica e Romana. Essa ideia fundamental está no centro da carta e é agradável ver um dos maiores ou talvez o maior potentado do tempo, com esse empenho pela difusão da doutrina católica. Comparando essa atitude com a dos potentados de nosso tempo, compreende-se como decaiu toda a situação do universo, como a influência religiosa vai se esvaindo no mundo contemporâneo, para não dizer que se esvaiu completamente, cedendo lugar a uma influência antirreligiosa . E neste sentido, a carta é edificante.

Modo de corrigir quintessenciado de caridade e de justiça
É edificante também esse trecho de São Pedro Canísio em que ele fala a respeito das condições do clero na Alemanha no tempo dele. Ele fala no plural, “nós”, não porque ele se julgasse culpado, mas porque era uma das regras da antiga cortesia. Tendo que dizer a alguém uma coisa desagradável, não dizer: “Você tem este defeito”, mas dizer dum modo mais amável: “Nós temos este defeito”, um “nós” que o interessado entenda bem… desde que ele não seja bobo. Alguém dirá: “Mas o que adianta dizer isso se o interessado sabe que se trata dele?” Esse modo de dizer revela um empenho de não ferir, de não machucar e faz parte da caridade, da polidez, do respeito, que é um modo quintessenciado de caridade e e justiça, e o respeito que se deve ter mesmo àqueles a quem se repreende. De maneira que ele não se inclui nesse caso, mas ele fala esse “nós”, evidentemente de uma maneira elevada, num trecho de um sermão pregado para clérigos, padres ou religiosos, em que ele diz, de um modo plural, mas no qual ele aponta clara e rudemente os defeitos do clero de seu tempo.

Vigor ao estigmatizar os erros do clero
É sempre bom lembrar isso, porque, por um instinto que na sua origem radicalmente é até sadio na alma católica, o verdadeiro católico tem para com o clérigo todas as complacências e todas as simpatias, e esta é uma posição de alma que volta continuamente ao espírito, mas com a tendência natural que já não é louvável, de nem sequer abrir os olhos para a verdade e não reconhecer a verdade como ela é, ainda quando ela entre olhos adentro. E aqui nesta última parte entra a “heresia branca”. E então para nós nos expungirmos da “heresia branca” é interessante nós vermos como falava um santo, um grande santo, um Doutor da Igreja, um homem célebre pelos múltiplos e enormes serviços que ele tinha prestado à Igreja Católica. A resenha feita por ele do quadro moral desse tipo de sacerdote: Com tais homens, nada de honestidade em casa, de sobriedade à mesa, de continência no leito, nem de estudos nos livros, nem de devoção no coração.
É o que se chama uma ruína completa, porque não resta nada . Se um homem em casa não é honesto, na mesa não é sóbrio, no leito não é puro, não estuda nos livros e no coração não tem devoção, o que resta? Vê-se o olhar límpido, forte, objetivo, e a boca vigorosa com que ele sabia estigmatizar os erros do tempo.

1) Expressão metafórica criada por Dr. Plinio para designar a mentalidade sentimental que se manifesta na piedade, na cultura, na arte, etc . As pessoas por ela afetadas se tornam moles, medíocres, pouco propensas à fortaleza, assim como a tudo que signifique esplendor.

Plinio Corrêa de Oliveira (Extraído de conferência de 24/04/1967)